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O Poder de Uma Ideia

Um dos primeiros idealizadores do que viria a se tornar a ITAEx e membro do Hexavirato, João Gomez (T61), fez carreira na iniciativa privada, onde por muito anos foi Vice-Presidente da Abril. Sua energia e dedicação foram vitais para a criação da ITAEx. Nesta entrevista, João divide conosco um pouco de sua história e aponta caminhos.

 

 

  • Como o fato do Sr. ter perdido seu pai muito cedo, mudou sua visão de mundo?

 

Mudou. Na marra. Com 11 anos e meio minha mãe percebeu que meu pai com câncer ia morrer e ela, com 7 filhos dos quais eu era o quarto, botou os 4 primeiros para trabalhar. E lá fui eu trabalhar às tardes como entregador de farmácia de manipulação.

É claro que fiquei com uma visão mais hard do que meus colegas de turma, mas identifico até hoje muitos ex-alunos de várias turmas do ITA com um histórico muito parecido.

 

  1. E como foi que conheceu o ITA?

Numa detalhada reportagem numa revista chamada “O Cruzeiro”, que no fundo mostrava o sonho do Brigadeiro Montenegro (grande brasileiro!) e de uma equipe que ele liderava. No escritório do sítio tenho uma foto dele.

 

 

  • E como foi sua aventura aqui dentro?

 

Não foi uma aventura. Tudo era fácil para quem chegou ao ITA sempre trabalhando e estudando. Com as facilidades que o ITA proporcionava não teve nada de aventura. Passei de uma situação apertada para uma situação folgada em que podia estudar, praticar esporte, etc. Daí vem a dívida que eu sinto pelo ITA.

 

 

  • O Senhor comentou que sua carreira sempre lhe impôs desafios. Na sua opinião onde o ITA entrou nisto?

 

Na superação dos desafios. O ITA tinha e tem um nome destacado no ensino da Engenharia. Eu nunca digo que sou engenheiro, eu sempre digo que sou Engenheiro Aeronáutico. A experiência já me comprovou, inúmeras vezes, que há uma enorme diferença. As pessoas já me veem positivamente.

 

  1. Sabemos que o que lhe impulsionou foi o desenrolar da inconformidade dos alunos e a falta de eco, expressa pela primeira greve dos alunos do ITA. Mesmo havendo avisos todos ficaram surpresos. Por que?

Veja bem, Greve Iteana: de apenas um dia. Com horário para começar e terminar e com este dia preenchido com debates entre alunos e direção da escola.

Mas greve! O que impactou minha turma a T61, e certamente todos os demais ex-alunos. Para os ex-alunos não houve avisos. A surpresa foi total. Pelo menos não invadiram a Reitoria e nem destruíram os registros. Ah, os registros…

 

  1. Mas havia algo mais que não era percebido. O quê?

Entramos em ebulição. O Renner e o Konishi produziram relatórios que desenhavam uma situação bem diferente da imagem que tínhamos do nosso ITA. Mesmo considerando que, em geral, guardamos um registro um pouco idílico da nossa juventude, a ideia, por exemplo, de uma greve nos era inconcebível. Desses dois trabalhos, do Renner e do Konishi, ficou evidente que o polinômio era um pouquinho maior e mais complexo do que antecipávamos.

 

 

  • Como foi a história do Hexavirato? Por que esse time fez a diferença?

 

O Hexavirato começou com um triunvirato. Perotti, Ripper e eu, que logo passou a tetra, penta e hexa com a entrada do Konishi, Musa e Rômulo. Nenhum deles foi convocado. Todos se apresentaram espontaneamente e, importante, todos se declararam devedores do ITA. E veja que Musa, Rômulo e Ripper tiveram enorme sucesso no serviço público, na empresa privada e no mundo acadêmico e creditam seu sucesso ao ITA. O Hexavirato ficou robusto.

Esse time, ou T61, não é nada diferente da média das outras turmas do ITA. Canso de ouvir referência como “a gloriosa”.  Brinco e digo que o ITA tem 60 turmas gloriosas.  Hoje, com a morte do Perotti, veio o João MacDowell com as mesmas características dos remanescentes. E o Alfred Volkmer entrou com seu prestígio dentro da turma e foi para o Conselho Diretivo e, mais, é o Ponto Focal da turma.

E tivemos muito sucesso. Graças à T-61 e aos hexavirus que é como nós tratamos mutuamente principalmente pela abertura fantástica que os alunos de graduação e os professores nos deram.

 

 

  • Por que focar no aluno e professor?

 

Você lembra do polinômio já citado? É como encontrar uma estrada esburacada e querer resolver o problema construindo uma outra estrada toda pavimentadinha ao lado. Nossa solução, que não foi só o Hexavirato, mas de toda a T61, com um quadro de envolvidos em suas atividades e com mais de 75 anos, foi natural, ou seja tampar os buracos que, resolvidos, na opinião de alunos e professores criariam mais entusiasmo. Com recursos limitados, foi aquilo que nos era possível. A recepção entre alunos e professores foi descomunal.

 

  • Por que financiar projetos?

 

Incapazes de definirmos que buraco tampar optamos por perguntar aos alunos e principalmente aos professores quais eram na opinião deles os buracos e prover os recursos para que eles mesmos os tampassem. Veja que a tônica foi a simplicidade. A nossa surpresa foi que essa linha de trabalho deu um resultado muito, mais muito, acima da melhor expectativa.

Daí veio a necessidade e a oportunidade de se expandir o projeto da T61 para todas as outras turmas, a ITAEx, com muito mais profissionalismo, governança e sucesso do que a iniciativa de uma só turma, a T61.

 

 

  • O mundo mudou muito da sua época para hoje e continua mudando. Onde está o grande desafio?

 

Gostaria de poder responder essa questão com uma frase síntese, mas não a tenho.

Voltando ao mundo do ITA, imagino que a agregação de cada uma das turmas do ITA em torno de um pequeno grupo coordenador e unidos pela estrutura de uma ITAEx (organização, governança, divulgação, etc.) e com apoio da Administração do ITA e do CTA, conseguirá mostrar e ampliar a grandeza do ITA, renovando métodos, procedimentos, postura e mobilizando recursos, participações pessoais e entusiasmo.

 

  1. O que os alunos e professores devem esperar da ITAEx?

Muito. Se todas as turmas apoiarem a Iniciativa da ITAEx como a T61 apoiou e apoia, o céu é o limite. O Brasil, a Aeronáutica, o ITA e todos nós Iteanos seremos beneficiados.

O limite, como vejo, está na direção do artigo do The Economist de 25/06/16.

http://www.economist.com/news/international/21701081-new-crop-hands-universities-transforming-how-students-learn-flying-high

Se você não conseguir acessar este artigo peça por e-mail para:  joão@jgomez.com.br

Longa vida à ITAEx!

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